Para sempre Suassuna

Ariano Suassuna sempre será motivo de orgulho para os brasileiros, uma das maiores representatividades do Nordeste, desse Nordeste multifacetado, multicultural, com sua essência linda e latente!

“Ariano, O Cavalheiro Sertanejo” voltou com seu brilho e graça para sorte dos espectadores. Nesse atravessamento híbrido é possível degustar uma obra que desnuda a vida de um dos maiores literários deste Brasil.

A curadora do SESC Rio, Raquel Machado trouxe ao teatro virtual o espetáculo da companhia de teatro “Os Ciclomáticos”, que homenageia o  defensor da cultura do Nordeste brasileiro, Ariano Suassuna. O espetáculo carrega brasilidade com doçura e assertividade.

Aos que tiveram a sorte de assistir presencialmente a essa obra, sabe da força que ela tem. A montagem é genuína. Todos são presenteados com um cortejo colorido de artistas, no presencial eles adentravam o teatro cantando e transbordavam arte e muita alegria, um choque de sensações inimagináveis tomava conta da alma de toda gente, já fazendo o espectador sorrir para a vida.

Graças também aos figurinistas André Vital, Nívea Nascimento e Roberto de Biase, que entenderam a essência dessa região brasileira estonteante e a traduziram para as indumentárias.

O texto e a direção pertencem ao eterno pesquisador das Artes Cênicas Ribamar Ribeiro. Impossível não dar a Ribamar a menção merecida. Um artista ímpar, que carrega o Brasil na alma. Contagia os espectadores com as histórias do Brasil Colonial, um Brasil de negros africanos caçados feito bichos. Ribamar faz com que o público sangre em profundas análises e assim, alimenta a dramaturgia. Um verdadeiro show do teatro brasileiro.

A história de Ariano é contada com detalhes riquíssimos. Um deles, conta a primeira vez em que o “Auto da Compadecida” foi apresentado no Rio de Janeiro, em 1956, no Teatro Dulcina. 

E assim os espectadores vão mergulhando em Suassuna, com ajuda da sonoridade dos instrumentos, como o bumbo e o triângulo, tudo com no compasso regional do Nordeste de Suassuna. 

Às vezes, os artistas trabalham em coro, o que leva a perceber como estão bem ensaiados. Todos no mesmo ritmo, na mesma cadência, em perfeita sincronização e que beleza a fusão das vozes!

Renato Neves é um dos artistas no palco, um dos mais antigos da companhia, que completará 25 anos este ano. 

Ribamar Ribeiro foi um dos fundadores da companhia, que carrega o Brasil e o defende tal como o romancista Ariano. Belíssimo este ato a favor de um país, cuja identidade agoniza e se esvai gradualmente, pois sem cultura é exatamente isso que acontece. 

Quanto ao elenco há um equilíbrio entre eles, todos atuam com graça e encantamento. 

Nossa Senhora aparece, com um belo manto, sendo apresentada por todos os seus nomes, abençoando a todos os presentes, deixando seu corpo à mercê da dança Africana, ou do popular Funk carioca.  Um momento de excelência!

Não há erros quando se fala do teatro de Suassuna, que é do povo, feito do povo e para o povo. 

A morte, que acompanha a vida e a obra do dramaturgo, é muitíssimo bem apresentada. Do figurino à música e ao rico jogral, um resultado de extremo bom gosto. Linda cena! 

A vida do Rei Ariano foi linda, ele não era nada apolítico, sagrado para a cultura, poético, grande estudioso e acima de qualquer coisa, um homem que amava este país de forma peculiar, pouco vista. Ariano não ligava para Lavoisier, nem para Disney, era um homem que defendia um Brasil gigante, que até os dias atuais teima em parecer pequeno, mesmo sendo imenso, grandioso!

“Arte pra mim não é produto de mercado. Podem me chamar de romântico. Arte pra mim é missão, vocação e festa”  

                                                                  (Ariano Suassuna)

ARIANO – O CAVALEIRO SERTANEJO

Comédia Musical Brasileira

On-line e gratuito

Temporada até 24/7

Duração: 50 minutos

Disponível no Portal Sesc Rio

Assista: https://www.youtube.com/watch?v=RtKic2gbX9I

FICHA TÉCNICA

Autoria e Direção: Ribamar Ribeiro

Elenco: Carla Meirelles, Getulio Nascimento, Julio Cesar Ferreira, Nivea Nascimento, Renato Neves e Fabiola Rodrigues

Texto e Direção: Ribamar Ribeiro

Figurinos: André Vital, Nívea Nascimento e Roberto de Biase

Músicas: Getulio Nascimento

Preparação Vocal: Juliana Santos

Preparação para Canto: Getulio Nascimento

Cenografia: Getulio Nascimento e Cachalote Mattos

Adereços: André Vital, Mauro Soh e Nivea Nascimento

Iluminação e Operação de Luz – Mauro Carvalho

Sonoplastia: Getulio Nascimento e Ribamar Ribeiro

Operação de Som: Ribamar Ribeiro

Programação Visual: Nívea Nascimento

Assessoria de Imprensa: Cláudia Bueno

Fotos: Zayra Lisboa

Realização: Os Ciclomáticos Cia de Teatro

Assista: