Teatro do Oprimido em alto e bom tom no circuito SESC

“O clássico de Augusto Boal ganha nova montagem sessenta anos após a sua primeira encenação apresentando o operário José da Silva, um representante do povo que mergulha em uma viagem nas contradições de um Brasil injusto à procura de uma solução para a fome que o devora.” (Sinopse)

E dá para acreditar que a primeira montagem de “Revolução na América do Sul” é de 1962, se estamos vivendo absolutamente a mesma história em 2022? Pois essa é a função do Teatro do Oprimido do brilhante e eterno Boal, que apresentou seu estilo e não mais calou, uma linguagem que traduz a realidade do país, a maneira brasileira de falar, se expressar, sentir e pensar, perpetuada entre os artistas brasileiros. É muito belo assistir a jovens artistas despertos para a realidade do Brasil, a esperança renasce como a força de um concorde.

Jovens talentosos deflagram algumas verdades que permeiam a sociedade. E é tudo tão real, dos figurinos às entonações das vozes, dá a sensação de que esses artistas sentem mesmo na pele todas as mazelas que contam.

O SESC está mais uma vez de parabéns por abrir as portas a mais um relevante espetáculo, que expõe, com franqueza e sem cortinas, a realidade vivida por uma parcela de brasileiros, que sente a dor da fome no seu dia a dia.

No Teatro político não se pode tentar calar um artista, que sente a necessidade de dizer que não é alienado, muito menos cego diante dos fatos e das injustiças cometidas com os menos favorecidos. E isso é fantástico! Ver o quanto o elenco entende bem de Brasil, porque encarnaram seus personagens com lealdade e veracidade. Se por um lado, a felicidade existe por eles estarem absolutamente conscientes da vergonha que assola a nação, por outro lado, questionam-se até onde essa dura realidade é tão distante de suas próprias vidas.

Todos demonstram estar profundamente à vontade em seus papéis, todos!
É o Brasil sendo desmascarado! É o artista que se olha nos olhos, empresta sua face e seu corpo para as mudanças internas acontecerem. E num movimento incessante vão dando vida aos personagens. Representam nordestinos, operários e também a podridão daqueles que poderiam providenciar melhorias aos miseráveis e nada fazem!

” A minha vida inteira, fui explorado nessa fábrica…”
José quer aumento, não quer mais só sentir o cheiro das almondegas, diz o texto!

Cada artista atua com magnitude, embora sejam jovens. Cássio Duque, Junior Melo, Letícia Ambrósio, Levi Duarte, Maria Azevedo e Ritiele Reis cumprem bem seus papéis e dão o recado!
Trazem o pão e o circo para o povo, a eterna enganação política, que tenta camuflar as prioridades, como a educação, principalmente!

E em dias muito atuais, está aí evidenciada mais uma tentativa de ludibriar o povo, apaziguar a relação entre os que elegem e seus governantes, seja por intermédio do esporte ou da arte, olha aí as prefeituras, os sertanejos e seus shows milionários!

Iluminação perfeita, figurino, cenário, tudo harmonizado. Nada suntuoso, afinal, fora a mansão do filho do presidente, temos mais suntuosidade no Brasil? Desemprego, insegurança, inflação, informalidade e fome: realidades escancaradas!
“Minha arma, minha vida” é o projeto desse grupo teatral e qual a diferença desse projeto para o Estado? “Quem arma cuida!”, projeto aprovado pela Câmara, quanta conexão! A diferença é que a montagem é fictícia! O texto é de Augusto Boal, mas foi atualizado, com muito cuidado, ficou muito bem feito. É um espetáculo que merece ser visto e revisto, mesmo tendo eles uma bancada evangélica!

No palco, eles cantam músicas sedutoras, tem repente, tem pandeiro, não há como não se apaixonar e parabenizar todos esses arteiros! Viva o Teatro!

REVOLUÇÃO NA AMÉRICA DO SUL

Programação:
SESC Campos
Sexta-feira, 10/6, 20h

SESC Madureira
Sexta-feira, 17/6, 19h

SESC Nova Iguaçu
Sábado, 18/6, 19h

SESC São Gonçalo
Sábado, 16/7, 19h

SESC São João de Meriti
Sábado, 30/7, 19h

SESC Niterói
Sexta-feira, 5/8, 19h

Ingressos R$ 10 e R$ 5 (meia)
Ingressos Gratuito para PCG e Credencial Plena

Informações https://www.sescrio.org.br/programacao/artes-cenicas/sesc-rj-pulsar-teatro-revolucao-na-america-do-sul/

FICHA TÉCNICA

Texto: Augusto Boal
Direção Geral: Wellington Fagner
Dramaturgismo: Wellington Junior
Atualização de texto: Cássio Duque, Junior Melo, Letícia Ambrósio, Levi Duarte, Maria Azevedo, Nathalia Cantarino, Ritiele Reis, Wellington Fagner e Wellington Junior
Elenco: Cássio Duque, Junior Melo, Letícia Ambrósio, Levi Duarte, Maria Azevedo e Ritiele Reis
Direção Musical: Vinícius Mousinho
Letras das Canções: Francisco de Assis
Cenografia: Malu Guimarães, Letícia Magalhães e Sofia Magalhães
Figurinos: Lara Bezerra
Assistente de Figurinos: Mariana Faria
Costureiras: Vicentina Mendes da Silva
Visagismo: Fellipe Estevão
Iluminação: Ricardo Rocha
Design Gráfico: Samuel Santiago
Fotografia: Josélia Frasão
Assessoria de Imprensa: Marrom Glacê Assessoria – Gisele Machado & Bruno Morais
Produção: WDO Produções
Direção de Produção: Wellington de Oliveira
Produtora Executiva: Pedro Barroso