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Segundo dia do Feira Preta Festival consolida ocupação histórica com debates, moda e grandes encontros musicais

O segundo dia da edição carioca do maior festival de cultura e economia preta da América Latina reuniu a escritora Conceição Evaristo, desfiles de moda autoral e shows históricos de Sandra de Sá, Tati Quebra Barraco, Nanda Tsunami e da angolana Titica na Região Portuária

O segundo dia do Feira Preta Festival, realizado neste sábado (30), consolidou o retorno do evento à capital fluminense após uma década de ausência. Tomando os palcos e as ruas da Pequena África, território historicamente marcado pela resistência afro-diaspórica, a programação gratuita conectou debates literários, reflexões econômicas e um público vibrante que lotou o Píer Mauá, o Armazém Kobra e o Armazém 1.

“Retornar ao Rio depois de 10 anos é reconhecer a força desse território na formação da cultura negra brasileira. A Pequena África é um símbolo vivo de memória e resistência, mas também de futuro. É aqui que queremos afirmar a potência da economia preta como caminho de desenvolvimento”, afirmou Adriana Barbosa, fundadora do Feira Preta Festival.

Escrevivências e a força da literatura contemporânea

Um dos momentos mais aguardados e emocionantes da tarde ocorreu no Espaço Cais do Valongo com o painel “Era uma vez… Escrevivências para o amanhã”. Em um diálogo marcado pelo afeto e pela sensibilidade, a aclamada escritora Conceição Evaristo se uniu ao projeto Pretinhas Leitoras . Juntas, compartilharam vivências, memórias e imaginação, reforçando a urgência de construir narrativas literárias onde identidades negras possam plenamente existir e se reconhecer.

Moda, estética e ativismo contra o racismo

A força da identidade negra também se fez presente nos palcos de debate e nas passarelas. No painel “Estéticas Pretas que Criam Mercado”, mediado por Thais Delgado e com oferecimento da Renner, as convidadas debateram como a moda reflete relações de poder e protagonismo . Foi durante as reflexões sobre tendências e construções culturais que a pesquisadora e curadora

A influenciadora Hanayrá Negreiros sintetizou o papel político da área:

“Somos mulheres trabalhadoras da cultura, da beleza e da moda e a nossa forma de combater o racismo é a partir da beleza. Isso faz parte de um ativismo.”

Mais tarde, o público conferiu de perto essa produção autoral na passarela do Palco Pedra do Sal, no Armazém Kobra, com desfiles que apresentaram as criações estilísticas e a inovação estética das marcas Kriolo, NALIMO, Tendência Black e Axomi.

Ancestralidade do samba e celebração comunitária

A musicalidade tomou conta do Palco Zungu, no Armazém 1, misturando a tradição e o resgate das raízes comunitárias. A tradicional roda da Pequena África, Samba Canela de Velho, subiu ao palco para saudar o legado daqueles que pavimentaram o caminho para a cultura urbana atual:

“O samba é uma música popular carioca. Temos que saudar a coroa desses grandes mestres, que estiveram trabalhando, dedicando seu suor, para que a gente possa está aqui fazendo nossa amiga”, declararam os integrantes do Canela de Velho.

Ocupação urbana e conexões globais na pista

A noite de sábado transformou o Armazém Kobra em uma apoteose de ritmos pretos . O movimento de ocupação urbana Baile Black Bom, reconhecido como Patrimônio Imaterial Carioca, comandou a pista fazendo uma viagem no tempo do soul dos anos 70 ao R&B contemporâneo. O show ganhou contornos históricos com as participações de Don Filó, pioneiro do Movimento Black Rio, e de Sandra de Sá, a “Rainha do Soul Brasileiro”, que levantou o público com sua voz emblemática e forte consciência social.

Na sequência, o festival abriu espaço para o vigor da nova cena urbana paulistana com a apresentação de Nanda Tsunami e Barona . Aos 26 anos, a MC e compositora Nanda Tsunami levou ao Palco Pedra do Sal rimas potentes que mesclam elementos do trap com o funk de São Paulo, retratando com autenticidade suas vivências e o cotidiano periférico.

O palco promoveu o encontro explosivo de Tati Quebra Barraco e da cantora angolana Titica. Unindo o funk carioca da Cidade de Deus ao pique do kuduro de Luanda, as duas artistas, símbolos globais de autenticidade e resistência feminina, incendiaram a plateia em uma performance que uniu o asfalto carioca e as sonoridades afro-atlânticas.

O Feira Preta Festival segue até este domingo (31) com uma extensa programação que engloba exibições de cinema no Cine Raiz, mentorias de negócios em parceria com o SEBRAE, apresentações de artes cênicas e circuitos históricos pela Zona Portuária, além de shows de Leci Brandão, Teresa Cristina e outras atrações.

Sobre o Instituto Feira Preta

O Feira Preta é um ecossistema estratégico focado no fortalecimento econômico cultural da população negra na América Latina, em especial no Brasil. A organização atua por meio de programas, projetos e ações voltadas ao empreendedorismo, cultura, educação, pesquisa e inovação, criando ambientes propícios ao crescimento e à prosperidade econômica de pessoas negras a partir da valorização de conhecimentos ancestrais e da construção de novos futuros.

Mais informações no: https://feirapretafestival2026.com.br/

Sobre o Viva Pequena África

O Viva Pequena África é uma iniciativa estruturada e patrocinada pelo BNDES e com apoio financeiro, da Open Society Foundations, da Ford Foundation, do Instituto Ibirapitanga e da Fundação Itaú. Na gestão , reúne-se, pela primeira vez, uma coalizão de organizações negras composta pelo Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP), a Diáspora.Black e a Feira Preta.

Crédito Foto: Divulgação/Agência Atlântica