Inspirado livremente no conto “Pinguinho”, do jornalista, escritor e “imortal” maranhense Viriato Correia (1884-1967), que narra a história de um vilarejo onde a morte era motivo de brincadeiras entre a meninada, até que um episódio muda para sempre o olhar daquelas crianças. A peça ressignifica a saudade como um ato de resistência e celebração.
A música ao vivo, executada em cena por 13 atores, apresenta canções tradicionais em português, espanhol, francês, italiano e latim, num repertório popular e conhecido pelo público.
O grupo Os Geraldos, com 20 integrantes e criado há 18 anos em Campinas, investiga o teatro popular que valoriza a relação direta com o público. Já passou por 105 cidades em 24 estados brasileiros e 10 países.
O Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro realiza o espetáculo SAUDADE, do Grupo Os Geraldos, com concepção e direção de Douglas Novais, direção musical de Everton Gennari e dramaturgia de Julia Cavalcanti e Paula Guerreiro. No elenco, Alexandre Cremon, Carolina Delduque, Emme Toniolo, Everton Gennari, Gileade Batista, Guilherme Crivelaro, João Fernandes, Julia Cavalcanti, Paty Palaçon, Paula Guerreiro, Pedro Dias, Roberta Postale e Valéria Aguiar. Após temporada de sucesso no CCBB BH, o espetáculo chega ao CCBB Rio também com patrocínio do Banco do Brasil.
Inspirada no conto Pinguinho, de Viriato Correia (*), e nos escritos de Rubem Alves, a montagem reflete sobre os temas infância, morte e perda, ancorados em canções do imaginário coletivo, cantadas ao vivo por 13 intérpretes. No vilarejo que ganha forma no palco, a saudade se manifesta como presença ativa — cantada, dita e corporificada — sustentando o encontro entre os atores e o público.
(*) Viriato Corrêa (1884-1967) – jornalista, escritor e dramaturgo maranhense, nomeado imortal da Academia Brasileira de Letras em 1938. Foi professor na Escola Dramática no Rio de Janeiro, e fez grande sucesso como dramaturgo e autor de livros infantis. Seu livro infantil “Cazuza”, onde foi publicado o conto “Pinguinho”, é sua obra mais conhecida e traz elementos autobiográficos.
Uma curiosidade: a primeira apresentação deste trabalho foi em língua espanhola. Ainda na fase inicial de pesquisa, em 2024, a montagem foi aprovada — entre mais de 200 inscrições de 24 países — na Convocatoria Iberoamericana de Residencias de Creación, do Programa Iberescena, que selecionou apenas dois projetos. Esse reconhecimento foi o ponto de partida para uma residência internacional realizada junto na Catalunha, Espanha, seguindo para Itália, França e Inglaterra.
“Lá apresentamos uma primeira versão do espetáculo em espanhol para um público que parecia tão conectado à obra que foi como se, entre aquele vilarejo catalão e nosso Brasil profundo, não houvesse tanta diferença assim”, conta o diretor Douglas Novais.
SINOPSE
Em um pequeno vilarejo, a morte era motivo de festa e brincadeiras entre as crianças, porque a cidade parava e toda a sua rotina era alterada. Um dia, um acontecimento muda para sempre o olhar daquelas crianças, que se encontram com a fragilidade da vida e a força das memórias, marcando o fim da inocência.
A MONTAGEM
SAUDADE se constrói na intersecção entre o teatro popular e uma pesquisa multicultural. A música ao vivo, executada em cena pelos 13 atores, tem papel central na narrativa – mais do que acompanhar a ação, a música organiza a progressão das cenas. Canções tradicionais em português, espanhol, francês, italiano e latim — repertórios populares e conhecidos – remetem a memórias afetivas, criando uma comunhão entre palco e plateia, onde o canto coletivo atravessa línguas, territórios e gerações.
O cenário de Douglas Novais, também diretor, traz um chão de vidro, que ora reflete a cena como um espelho, ora é iluminado por baixo. A luz é do premiado Caetano Vilela. Os figurinos, também de Novais, são de algodão cru, inspirados em roupas da infância dos atores, pesquisada em fotos de família. A visualidade da cena como um todo é inspirada na paleta de cores e na visão do homem simples retratado por Portinari.
A trilha do espetáculo está disponível em todas as plataformas digitais, e no Spotify o link é https://open.spotify.com/artist/7y4HISicVdKcs5h0UGSlPt?si=g2BtmMuRRySjNbi5fjkrsA.
A CRÍTICA
O crítico e fotógrafo Bob Sousa descreveu a visualidade do espetáculo como “espinha dorsal da experiência cênica”, destacando a integração entre imagem, som, palavra e corpo para construir um campo de memória compartilhada. Ele aponta a inspiração nas pinturas de Cândido Portinari, perceptível no olhar voltado ao homem comum e ao Brasil interiorano, e ressalta o coro como elemento central, que dissolve protagonismos e afirma o trabalho coletivo como escolha estética e ética.
Já o crítico de arte Rômulo Sobrinho descreve a experiência de assistir a SAUDADE como algo que “fala menos ao intelecto e mais à pele, à memória e ao afeto”. Ele destaca a cenografia “minimalista sem ser fria, simbólica e sem excessos”, onde os objetos funcionam “como gatilhos da memória afetiva do espectador”. Sobre a trilha sonora, afirma que ela “atua como um personagem invisível, costurando emoções, preenchendo vazios e potencializando aquilo que não é dito em palavras”. Para ele, ao final, “saímos do teatro com a sensação de que algo ficou ecoando, uma lembrança, um nome, um afeto”.
Marcos Antônio Alexandre, doutor em Letras pela FALE-UFMG, relata ter vivenciado um “encontro profundo com minhas memórias e minhas saudades”, transitando “do riso ao choro” e recuperando o “olhar das infâncias” sobre a perda. Ele elogia a direção musical de Everton Gennari, que faz o público se perguntar “Qual é o som do céu estrelado?”, e a interpretação de todo o elenco, com especial menção a Gileade Batista como Pinguinho, “repleta de engenhosidade, espontaneidade, espiritualidade, leveza, dramaticidade e liderança”. Alexandre conclui que a obra permite “retomar territórios e buscar diálogos com outras gerações”.
FICHA TÉCNICA
Patrocínio: Banco do Brasil
Direção e concepção de cena, figurino e cenografia: Douglas Novais
Direção musical e preparação vocal: Everton Gennari
Dramaturgia: Julia Cavalcanti e Paula Guerreiro
Direção de texto: Douglas Novais e Paula Guerreiro
Elenco: Alexandre Cremon, Carolina Delduque, Emme Toniolo, Everton Gennari,
Gileade Batista, Guilherme Crivelaro, João Fernandes, Julia Cavalcanti, Paty Palaçon,
Paula Guerreiro, Pedro Dias, Roberta Postale e Valéria Aguiar
Iluminação: Caetano Vilela
Visagismo e maquiagem: Douglas Novais e Gileade Batista
Assistência de direção: Julia Cavalcanti
Assistência Dramatúrgica: Emme Toniolo e Tatiana Alves
Coordenação do Ateliê Kairós: Emme Toniolo
Assistência do Ateliê Kairós: Gileade Batista, Guilherme Crivelaro,
Vinícius Zaggo, Valéria Aguiar, Agnes Foster, Aline Sivieri e Jennifer Adélia
Fotografia: Stephanie Lauria, Bob Sousa e Guto Muniz
Design gráfico e Ilustrações: Guilherme Crivelaro
Redação do programa: Paula Guerreiro
Operação de luz: Débora Piccin
Coordenação de produção executiva: Paty Palaçon
Produção executiva: Anna Helena Longuinhos
Assistência de produção: João Vitor Paulato, Nicole Mesquita, Lívia Telles
Captação e Projetos: Carolina Delduque, Paula Guerreiro, Lívia Telles, Paty Palaçon
Assistência de Captação e Projetos: Pedro Dias, Anna Helena Longuinhos e Débora Piccin
Coordenação técnica: João Fernandes e Alexandre Cremon
Assistência técnica: Roberta Postale e Pedro Dias
Coordenação de comunicação: Nicole Mesquita
Coordenação de gestão: Tatiana Alves
Coordenação geral: Douglas Novais
Produção: Os Geraldos
Assessoria de Imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany
Realização: Governo do Brasil e CCBB
OS GERALDOS
É um grupo de teatro formado por artistas, de 18 a 59 anos, que vêm de pequenas cidades do interior de São Paulo e de outros estados, trazendo consigo um olhar enraizado no Brasil profundo. Desde 2008, o grupo desenvolve um teatro popular que valoriza a relação direta com o público e combina pesquisa técnica com a vivência de quem conhece o país por dentro.
A estética do grupo desenvolve-se em três frentes principais: as Visualidades do Espetáculo, com um ateliê próprio responsável pela criação de figurinos, cenários e iluminação; a Expressividade Vocal, que investiga a palavra falada e cantada como matéria central da cena; e o Coro, entendido tanto como base estrutural da encenação quanto como um signo da ética do trabalho coletivo, de modo que a relação entre estética e ética se manifesta na cena e no processo de criação.
O grupo já passou por 105 cidades, em 24 estados brasileiros e 10 países. Além da circulação nacional e internacional, Os Geraldos administram o Teatro de Arte e Ofício (TAO), um espaço independente de 41 anos, que é sede para suas criações, formações e para o fortalecimento de uma cena teatral coletiva e acessível.
SOBRE O CCBB RJ
Inaugurado em 12 de outubro de 1989, o Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro marca o início do investimento do Banco do Brasil em cultura. Instalado em um edifício histórico, projetado pelo arquiteto do Império, Francisco Joaquim Bethencourt da Silva, é um marco da revitalização do centro histórico da cidade do Rio de Janeiro. São mais de 36 anos ampliando a conexão dos brasileiros com a cultura com uma programação relevante, diversa e regular nas áreas de artes visuais, artes cênicas, cinema, música e ideias. Quando a cultura gera conexão ela inspira, sensibiliza, gera repertório, promove o pensamento crítico e tem o poder de impactar vidas. A cultura transforma o Brasil e os brasileiros e o CCBB promove o acesso às produções culturais nacionais e internacionais de maneira simples, inclusiva, com identificação e representatividade que celebram a pluralidade das manifestações culturais e a inovação que a sociedade manifesta. Acessível, contemporâneo, acolhedor, surpreendente: pra tudo que você imaginar.
SAUDADE
Temporada de 1º a 10/5
Centro Cultural Banco Do Brasil – Teatro I
Rua Primeiro de Março, 66, Centro, Rio de Janeiro
Sexta e sábado, às 19h e domingo às 18h
Ingresso: R$ 30 (inteira), e R$ 15 (meia para estudantes, professores, profissionais da saúde, pessoa com deficiência e acompanhante, quando indispensável para locomoção, adultos maiores de 60 anos e no pagamento com cartões BB), à venda no site www.bb.com.br/cultura e na bilheteria física do CCBB RJ de quarta a segunda-feira, das 9h às 20h (fechado às terças)
Gênero: drama musical
Capacidade do teatro: 158 lugares
Duração: 60 minutos
Classificação 12 anos
O teatro tem acessibilidade
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Funcionamento: de quarta a segunda, das 9h às 20h (fecha às terças)
ATENÇÃO: domingos, das 8h às 9h – horário de atendimento exclusivo para visitação de pessoas com deficiências intelectuais e/ou mentais e seus acompanhantes, conforme determinação legal (Lei Municipal nº 6.278/2017)
Assessoria de Imprensa: JSPontes Comunicação
Crédito foto: Stephanie Laura
















