Às vésperas do centenário de nascimento de Gabriel García Márquez (1927-2014), celebrado em 2027, O Menino que Escrevia Sonhos mergulha no universo de um dos grandes escritores latino-americanos para imaginar a infância do menino que, anos mais tarde, se tornaria o autor de Cem Anos de Solidão. Com texto de Cecilia Ripoll e direção de Fabianna de Mello e Souza, o espetáculo infantojuvenil combina sombras, bonecos, formas animadas e música para construir uma aventura em que sonho, realidade e imaginação convivem. Contemplada pelo edital de Cultura Sesc RJ Pulsar, a montagem estreia em 19 de setembro, no Teatro I do Sesc Tijuca, onde segue em cartaz até 25 de outubro, com sessões aos sábados e domingos, às 16h. Nos dias 10 e 11 de outubro, as apresentações serão gratuitas, com distribuição de ingressos uma hora antes, sujeita à lotação.
O que significa “pegar no sono”? Será que o sono tem alça, fechadura ou chave? Para um menino que leva as palavras ao pé da letra, a frase dita pela avó — “tenho dificuldade para pegar no sono” — desencadeia uma série de perguntas e dá início a uma inusitada investigação. Interpretado por Roberto Rodrigues, o curioso garoto percorre a pequena vila onde mora em busca de respostas e acaba descobrindo outras maneiras de olhar para as palavras e para a vida ao seu redor.
“Abordar o universo de Gabo é uma empreitada que oferece um número infinito de caminhos. E justamente pela amplitude de possibilidades, para não me afogar no excesso, pensei assim: vou escolher uma perspectiva, uma frase, e é essa frase que vai conduzir o barco pela trama”, explica Cecilia.
Nessa jornada, o caderno é um companheiro inseparável do menino, onde ele registra dúvidas, descobertas e aquilo que os adultos nem sempre conseguem compreender. É dele que saem três folhas-narradoras, interpretadas por Maksin Oliveira, Marise Nogueira e Tatiane Santoro, que conduzem a história e assumem diferentes personagens ao longo da peça. A partir das anotações e desenhos do garoto, o que está no papel ganha vida em cena: uma cama vira peixe, um colchão voa até a lua e uma palavra pode abrir caminho para um mundo inteiro.
“No teatro de animação existe um pacto muito bonito com o público: um objeto sem vida passa a viver diante dos nossos olhos, e todos fazemos um acordo para acreditar juntos nessa transformação. Esse jogo de romper com o real e criar outras possibilidades em cena dialoga muito com o universo de García Márquez”, destaca Fabianna, diretora e fundadora da Cia dos Bondrés, reconhecida por sua pesquisa continuada sobre a linguagem das máscaras aplicada ao treinamento do ator e à criação cênica e cuja trajetória inclui nove anos de atuação no Théâtre du Soleil, na França.
Segundo a diretora, a música também foi uma referência fundamental para criar a atmosfera da peça. “Pesquisamos músicas latinas que fizeram parte da infância e da adolescência de Gabo, aquilo que ele ouvia no rádio”, diz. “Mais do que tentar representar uma latinidade específica, o espetáculo foi uma busca coletiva por construir uma latinidade nossa, teatral, imaginada, que fizesse referência ao universo de Gabo e, ao mesmo tempo, criasse o nosso mundo”, completa. A direção musical é de Karina Neves, e a direção de formas animadas, de Márcio Nascimento.
Cecilia Ripoll buscou inspirações tanto na obra quanto na vida de García Márquez para imaginar o menino que está no centro da história. A chegada de uma trupe de ciganos à vila, com seus instrumentos, danças e invenções mágicas, incluindo o misterioso potinho da linguagem, remete diretamente a Cem Anos de Solidão, romance que a dramaturga releu durante o processo de criação. Já a presença da avó, cujos roncos definem o cotidiano da vila, aproxima a ficção da infância do escritor, passada em grande parte ao lado dos avós e marcada pelas histórias extraordinárias que ela contava com a naturalidade de quem narra acontecimentos corriqueiros. “Elementos biográficos da infância de Gabo permearam minha escrita, e lidei com ele de forma solta, sem procurar ter uma obrigatoriedade com os ‘fatos’”, destaca Cecilia.
O Menino que Escrevia Sonhos é um espetáculo feito de encantamentos, mas que também deseja despertar na criança a curiosidade, a capacidade de imaginar e de olhar o mundo de outros modos.
Idealização da peça
Idealizado pelas sócias-fundadoras da Pagu Produções Culturais, Bárbara Galvão, Carolina Bellardi e Fernanda Pascoal, o espetáculo inaugura uma nova etapa na trajetória da produtora, que, após 16 anos dedicados à produção teatral, passa a assinar também a concepção artística de seus próprios projetos. A ideia nasceu da paixão das três pela obra de Gabriel García Márquez e da descoberta, após o nascimento de seus filhos, de uma coleção de livros de contos infantis do autor. Ao conhecer esses textos, elas perceberam a afinidade entre o universo fantástico de García Márquez e o imaginário da infância e começaram a pensar em um espetáculo infantojuvenil que fabulasse como teria sido a infância do autor. “Depois de 16 anos produzindo teatro, a gente se orgulha muito dos espetáculos infantis que levam a nossa assinatura. Acreditamos que oferecer às crianças experiências teatrais que estimulem a imaginação, a curiosidade e a capacidade de criar mundos possíveis é também contribuir para a formação de espectadores apaixonados e de pessoas mais sensíveis e abertas ao mundo”, afirma Carolina Bellardi.
SINOPSE
Como se faz para pegar no sono? Livremente inspirado no universo fantástico do escritor colombiano Gabriel García Márquez, O Menino que Escrevia Sonhos é uma saga de aventuras que nasce nas páginas do caderno de um menino. É ali, entre palavras, desenhos e imaginação, que ele registra seus sonhos, suas dúvidas e as histórias que começam a ganhar vida diante de seus olhos. A montagem combina sombras, bonecos e formas animadas.
Cecilia Ripoll – autora
Dramaturga, diretora, atriz e professora, Cecilia Ripoll é formada em Licenciatura em Artes Cênicas pela UniRio. Como autora, foi indicada a importantes prêmios de teatro, como APTR (2026, por Como nos Livros), Prêmio do Humor (2026, por Como nos Livros) e Prêmio Shell RJ (2023, por Pança, e 2018, por Rose). Em 2026, teve três textos inéditos em cartaz: Adorável Face de Andronieva Petrosa, com direção de Denise Stutz; Pessoa Física, com direção de Marcela Andrade; e Margaridas, com direção de Natasha Corbelino.
Fabianna de Mello e Souza – diretora
Fabianna de Mello e Souza é atriz, diretora e fundadora da Cia dos Bondrés, reconhecida por sua pesquisa sobre a linguagem das máscaras aplicada ao treinamento do ator e à criação cênica. Integrou por nove anos o Théâtre du Soleil, participando de montagens como Et soudain des nuits d’éveil, Tambour sur la digue e Le Dernier Caravansérail. No Brasil, atuou em Incêndios, de Wajdi Mouawad, com direção de Aderbal Freire Filho, e em As Comadres, sendo indicada ao Prêmio Aplauso. Realizou pesquisas em Bali, Sri Lanka e Japão e fundou, em 2006, o Ateliê de Pesquisa e Treinamento com Máscaras. Ministrou oficinas no Brasil e no exterior e coordenou o Ateliê do Ator no Sesc Paraty (2020–2023). À frente da Cia dos Bondrés, teve trabalhos indicados a prêmios como Cesgranrio e Zilka Sallaberry. Atuou também como preparadora de elenco em produções audiovisuais e participou de projetos internacionais, como o Ano França-Brasil (2025).
FICHA TÉCNICA
Texto: Cecilia Ripoll
Direção: Fabianna de Mello e Souza
Direção de formas animadas: Marcio Nascimento
Direção musical: Karina Neves
Elenco: Maksin Oliveira, Marise Nogueira, Roberto Rodrigues e Tatiane Santoro
Formas animadas: Diir
Cenografia: Mina Quental
Criação e produção de figurinos: Dani Vidal e Ney Madeira – Espetacular Produções e Artes
Iluminação: Juliana Moreira
Assistência de formas animadas: Pedro Abiayala
Aderecista: Rafaela Rocha
Design de estampas: Espetacular Produções e Artes
Sublimação: Estampa Alternativa – Rogério Maatouk
Costura: Virgínia Santos e Marinalva Santos
Alfaiataria: Renato Silva e Vânia Rosa
Designer gráfico: Bianca Oliveira
Mídias sociais: Ariel Moraes
Fotografia: Renato Mangolin
Assessoria de imprensa: Lyvia Rodrigues | Aquela Que Divulga
Produção executiva: Ana Flavia Massadas e Marina Dib
Produção: Maduh Cavalli
Direção de produção: Bárbara Galvão e Fernanda Pascoal | Pagu Produções Culturais
Idealização e coordenação geral: Bárbara Galvão, Carolina Bellardi e Fernanda Pascoal | Pagu Produções Culturais
O MENINO QUE ESCREVIA SONHOS
Curta temporada de 19/9 a 25/10
SESC Tijuca – Rua Barão de Mesquita, 539, Rio de Janeiro
Sábados e domingos, às 16h
Sessão extra: sexta-feira, 9/10, às 11h e às 15h
Dias 10 e 11/10, as apresentações serão gratuitas, com distribuição de ingressos uma hora antes, sujeita à lotação).
Ingressos: R$ 14 (habilitado Sesc), R$ 10 (meia-entrada), R$ 18 (conveniado), R$ 20 (inteira), gratuito (PCG)
Venda: on-line pelo site da Ingresso.com e na bilheteria do teatro
Bilheteria: terça a sexta, das 8h às 19h30; sábados, das 9h às 19h; domingos, das 9h às 18h
Classificação livre
Duração 60 minutos
Lotação 150 lugares
Gênero infantil
Acessibilidade: intérprete de Libras nos dias 3 e 17 de outubro
Crédito Foto: Renato Mangolin
















