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Espetáculo orbita entre teatro, dança e o movimento dos astros e estreia dia 4 de junho no Sesc Copacabana

Com direção de Dadado de Freitas, dramaturgia de Pedro Kosovski, a peça parte do universo para falar sobre o que nos move e marca a volta de Márcia Rubin aos palcos após 15 anos, dividindo a cena com Juracy de Oliveira

Galileu Galilei foi condenado por defender que a Terra se movia. Ainda assim, dizem que murmurou: “no entanto, ela se move”. A frase atravessou séculos. Era sobre a Terra, mas também pode ser sobre o corpo, o tempo ou tudo que insiste em girar. Desse lugar nasce “No Entanto, Ela se Move”, espetáculo que une teatro e dança em uma investigação poética inspirada nos mistérios do universo e seus movimentos. Estreia dia 4 de junho de 2026, quinta, às 20h30, no Mezanino do Sesc Copacabana e a temporada segue até 28 de junho de 2026, quinta e sexta, às 20h30; sábado e domingo, às 19h.

Acontecerão sessões com acessibilidade em Libras, nos dias 6 e 20 de junho. Nos sábados 20 e 27 de junho, o espetáculo terá sessões extras às 20h30; e nos dias 13 e 19 de junho, não haverá sessões por conta dos jogos da Copa do Mundo.

Em cena, Márcia Rubin e o idealizador do espetáculo Juracy de Oliveira são dois corpos – e não por acaso os chamamos assim – que habitam um universo em trânsito, onde dança e teatro se entrelaçam para investigar o que nos constitui como seres humanos e como matéria cósmica. É justamente nessa fronteira entre o científico e o sensível que o espetáculo encontra o seu território. A direção é de Dadado de Freitas e a dramaturgia de Pedro Kosovski.

A concepção da peça – uma produção da Porto Bello Filmes, responsável por projetos premiados no audiovisual e nas artes cênicas – nasce de um processo coletivo entre elenco, direção e dramaturgia, numa construção que relaciona as linguagens do teatro e da dança com a ficção científica. O gesto de olhar pro céu caiu em desuso e o espetáculo metaforiza uma convocação para olharmos de novo para o cosmos para nos enxergarmos também como sociedade.

“Pode ser um corpo humano ou um corpo celeste, espacial. Ou os dois ao mesmo tempo. Se somos feitos de poeira de estrelas, dançar, de algum modo, corresponde a uma dança cósmica. Assim, a dança, no espetáculo é o suporte e a base para as histórias que esses dois corpos apresentam ao público”, diz Dadado de Freitas, que fará uma parceria profissional inédita com Pedro Kosovski: “Somos amigos há muitos anos e de uma mesma geração na cena e nunca trabalhamos juntos. Está sendo um encontro artístico especial”.

Histórias fragmentadas trazem narrativas espaciais e o fascínio humano pelo cosmos. Os corpos em cena movem-se de modo a ecoar os movimentos dos astros: a órbita, a gravidade, a dança silenciosa das estrelas, um verdadeiro elo entre o microscópico e o infinito, entre o que somos e o que o universo é.

A premiada equipe criativa do projeto carrega reconhecimentos importantes em seu currículo: Dadado de Freitas é vencedor do Prêmio Shell de Direção 2025 por “Arqueologias do Futuro”; Pedro Kosovski acumula prêmios Shell, APCA, Cesgranrio e APTR por diversos projetos; e Juracy de Oliveira soma indicações aos prêmios Shell e APTR por “Peça de Amar” (2023). O espetáculo ainda conta com a direção musical de Beà Ayòóla, na criação de sons que serão inseridos junto com recursos visuais para aprofundar a história. O projeto é fomentado pelo Edital de Cultura Sesc RJ Pulsar.

Um aguardado retorno aos palcos, após 15 anos

“No Entanto, Ela se Move” também celebra o retorno de Márcia Rubin aos palcos. Bailarina, coreógrafa e diretora de movimento, comemorando 40 anos de trajetória no teatro, com grandes conquistas como o Prêmio Shell na Categoria Especial por sua trajetória na direção de movimento, Márcia estava afastada dos palcos como intérprete há 15 anos. Gerações inteiras de atores e bailarinos passaram por sua preparação. Para celebrar este legado, algumas das movimentações que compõem a peça – todas criadas pela artista – são inspiradas em coreografias de outras peças do seu repertório, transformando sua memória corporal em dramaturgia.

“Muito bom voltar à cena e poder dar corpo e voz à questões que me movem nesse momento. Como permanecer em pé, como abrir brechas e dilatar o tempo em meio a essa super aceleração que estamos vivendo”, diz Márcia sobre o seu retorno.

Nas pesquisas sobre a relação entre movimento e astronomia, os artistas foram conhecer a Luneta 46 (Grande Luneta Equatorial de 46 cm), o maior telescópio do Brasil, localizado no Observatório Nacional, ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia, no Rio de Janeiro. O telescópio foi inaugurado em 1922 e, apenas três anos depois, o cientista Albert Einstein passou pelo Observatório enquanto comprovava a Teoria da Relatividade (um evento que culmina no eclipse solar de 1925 em Sobral, no Ceará). As fotografias, assinadas por Rodrigo Menezes, têm como cenário o telescópio. Uma escolha que não é apenas estética, mas sim conceitual.

O mesmo instrumento que a humanidade usou durante séculos para tentar decifrar os mistérios do universo agora emoldura os corpos que, em cena, tentam fazer o mesmo, não com lentes e cálculos, mas com dança, movimento e poesia.

“A Márcia e o Juracy vão narrando em cena noções de movimento que são parte de uma formação em dança, e é bonito como isso também tem a ver com a questão científica”, conta Pedro Kosovski, que completa: “Explicando uma questão técnica, conseguimos produzir alguma poesia. Ou seja, a técnica da dança, a técnica da física… Tudo isso também é poesia, de algum modo. Afinal, um poema é o que todo espetáculo pretende ser”, conclui.

SINOPSE
Duas pessoas estão embarcadas. Em trânsito, observam forças que constroem e colapsam mundos. Entre eles, acontece uma transmissão: dançar o que os constitui, a matéria ínfima, vestígio de uma explosão estelar. Como numa ficção científica, ensaiam um gesto capaz de desviar o curso da Terra.

FICHA TÉCNICA
Dramaturgia: Pedro Kosovski
Direção Artística: Dadado de Freitas
Elenco: Juracy de Oliveira e Marcia Rubin
Direção de Movimento: Márcia Rubin
Direção de Produção: Natally do Ó e Thais do Ó
Direção de Arte: Júlia Vicente
Direção Musical: Beà Ayòóla
Iluminação: Dadado de Freitas
Assistência de Produção: Wellington Saraiva
Coordenação de montagem e operação de luz: Tayna Maciel
Assessoria de imprensa: Prisma Colab
Filmagem e Fotografia: Rodrigo Menezes
Produção de Conteúdo e Gestão de Mídias: Luana Bandeira
Designer e Programação Visual: Pedro Leobons
APOIOS: Fábrica do Sushi, Donna Natureza e Observatório Nacional
Idealização: Juracy de Oliveira
Realização: Porto Bello Filmes


NO ENTANTO, ELA SE MOVE
Temporada: de 4 a 28/6
Mezanino do Sesc Copacabana
Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana, RJ
Quinta e sexta, às 20h30
Sábado e domingo, às 19h
Ingressos: R$ 21 (associado Sesc), R$ 15 (meia-entrada) e R$ 30 (inteira)

Horários especiais – Copa do Mundo:
Nos sábados 20 e 27/6, o espetáculo terá sessões extras às 20h30; e nos dias 13 e 19 de junho, não haverá sessões por conta dos jogos da Copa do Mundo.

Informações: (21) 3180-5226

Sessões com acessibilidade em LIBRAS: 6 e 20/6

SOBRE DADADO DE FREITAS:
Dadado de Freitas é diretor, dramaturgo, ator, preparador de elenco e iluminador. Mestre em Arte e Cultura Contemporânea pela UERJ, desenvolve pesquisas em encenação, performance e política, com foco na presença de corpos dissidentes na cena. Em 2025 recebeu o Prêmio Shell de Direção por Arqueologias do Futuro, também contemplado com o Prêmio Leda Maria Martins de Artes Negras, espetáculo que estreou no Festival de Curitiba (2023), circulou por São Paulo e Rio de Janeiro e integrou o Mirada – Festival Ibero-americano de Artes Cênicas (SESC SP). Em 2024 realizou circulação Norte e Nordeste com 3 maneiras de tocar no assunto, peça que estreou em 2019 e pela qual recebeu indicações aos prêmios Cesgranrio e APTR de melhor direção. Realizou residências artísticas na Holanda e na África do Sul e atua como preparador de elenco em produções audiovisuais, como a série Dias Perfeitos (Globoplay), o filme Confia e a novela Êta Mundo Melhor (Estúdios Globo).

SOBRE PEDRO KOSOVSKI:
Pedro Kosovski é Dramaturgo, diretor teatral e professor de artes cênicas da PUC-RIO e do Teatro O Tablado. Funda, em 2005, a Aquela Cia de Teatro, núcleo de criação e pesquisa em artes cênicas. Suas obras foram apresentadas nos principais festivais do Brasil e internacionalmente. Recebeu indicações e foi vencedor dos principais prêmios de artes cênicas do Brasil como Shell, APCA, Cesgranrio, Questão de Crítica, APTR, Aplauso Brasil. Três de suas peças que formam a “Trilogia Carioca” (Cara de Cavalo”, “Caranguejo Overdrive”, “Guanabara Canibal”) estão publicadas pela editora Cobogó onde também traduziu e publicou a obra “Fiz Bem?” da dramaturga francesa Pauline Salles. Mais recentemente, escreveu a dramaturgia de “Kintsugi, 100 memórias”, com o Lume Teatro e, em 2025, dirigiu o espetáculo “Devora-me”, e escreveu “Veias Abertas 60 30 15 seg”, com Aquela Cia.

SOBRE MÁRCIA RUBIN:
Coreógrafa, dançarina, diretora de movimento e professora de dança, Marcia Rubin nasceu no Rio de Janeiro em 1962. Especialista em Arte e Filosofia pela PUC Rio, concluiu seus estudos de dança na Escola Angel Vianna, RJ, onde leciona. Fundou sua companhia de dança em 1991, e entre os espetáculos que realizou, destacam-se “Já não penso mais em ti” em 1994; “Tudo que eu nunca te disse”, em 1997; “A paisagem daqui é outra”, em 2003; e “Enquanto estamos aqui”, em 2012. Foi curadora do Carlton Dance Festival de 1988 a 1997, e do Dança Gamboa, junto com Cesar Augusto, de 2013 a 2016. Desenvolveu, junto a Bia Radunsky, o formato do projeto Duos de Dança no Sesc, que contou com a sua curadoria em várias edições, entre 2002 e 2010. Participou, como Diretora de Movimento, da criação de diversos projetos de cinema, teatro e televisão com Aderbal Freire Filho, Marcio Abreu, Fabiano de Freitas, Marco Andre Nunes e Pedro Kosovski, Leonardo Netto, Enrique Diaz, João Fonseca, Monique Gardemberg, Daniel Herz, Felipe Hirsh, José Luiz Villamarim, Luisa Lima e Batman Zavarese, entre outros. Seu trabalho no teatro teve várias indicações para os prêmios APTR, Shell e Cesgranrio e foi premiado com o Shell, em 2011, e Cesgranrio, em 2020.

SOBRE JURACY DE OLIVEIRA:
Juracy de Oliveira é cearense e constrói sua pesquisa artística desde 2005. Tem vasta experiência como ator e diretor, atuando em Fortaleza e no Rio de Janeiro, onde se formou na Escola Estadual de Teatro Martins Penna. Em 2025, atuou em “Veias Abertas 60 30 15 seg” da Aquela Cia e no filme “A Versão da Mãe” dirigido por Ninna Fachinello. Em 2024, idealizou e dirigiu o espetáculo “Egoísta”, solo da atriz Ana Marlene, indicada ao Prêmio Shell de Teatro pelo papel. Durante a quarentena, idealizou o Pandêmica Coletivo Temporário de Criação, aglomeração de artistas de diversas partes do país, indicada ao Prêmio Shell de Teatro 2023 na categoria especial Energia Que Vem da Gente. Em 2019, integrou o elenco do filme “Selvagem”, dirigido por Diego da Costa e vencedor do prêmio de Melhor Longa Metragem no Festival Guarnicê de Cinema e no Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo. Em 2023, idealizou ao lado de Maurício Lima, o espetáculo “Peça de Amar”, que recebeu indicações a Melhor Dramaturgia e Melhor Figurino no Prêmio Shell e Melhor Dramaturgia no Prêmio APTR. De 2017 a 2020, foi idealizador, diretor e ator no projeto “Le Circo de la Drag”, que circulou pelo Brasil e pelo exterior (França, Holanda, Portugal e Bélgica). Em 2017, integrou o elenco e fez assistência de direção de “Balé Ralé”, de Marcelino Freire, com direção de Fabiano de Freitas. Em 2016, codirigiu o espetáculo “Mercedes”, sobre a história de Mercedes Batista, primeira bailarina negra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Em 2015, integrou o elenco de “Nada Menos Que Muito”, de Jô Bilac, sendo indicado a Melhor Ator no Festival Nacional de Teatro de Duque de Caxias (RJ) e no Festival de Teatro do Rio, além de vencer o prêmio de Melhor Ator na 8ª Mostra Sérgio Nunes de Artes Cênicas, em Ourinhos (SP). Em 2012, na cidade de Fortaleza, codirigiu e atuou em “Audições Abertas – O Musical”, ao lado de Glauver Souza, recebendo o prêmio de Melhor Ator no Prêmio Destaques do Ano 2012. No mesmo ano, assinou a direção de movimento de “Foi – Uma Peça Aos Pedaços”, com texto e direção de Rafael Martins. De 2005 a 2011, integrou o Grupo Em Cena, sob direção de Nazaré Fontenelle, participando dos espetáculos “Os Bruzundangas” (2005), “A Vinha dos Esquecidos” (2006) e “Cordéis e outros Poemas” (2007–2011). Além do teatro, tem experiência na direção de shows, tendo assinado a direção de “Bárbara!” (2023), show autoral da artista cearense Mulher Barbada. Também integrou a equipe de direção artística das turnês “Bluesman”, de Baco Exú do Blues e “Pro Mundo Ouvir”, de Duda Beat, ambas em 2019 sob direção geral de Gigi Barreto.

Crédito Foto: Rodrigo Menezes