Mistério e fascínio nas mórbidas histórias que a morte conta

NITERÓI • Acaba de estrear no teatro da Universidade Federal Fluminense (UFF), o espetáculo “Foi-se: histórias que a morte conta”, dirigido por Maria Coelho e Gabriel Mendes. Essa segunda montagem da Onírico Cia de Teatro encena contos de Carlos Drummond de Andrade, Walt Whitman e Rosa Amanda Strausz e mostra olhares diferentes do imaginário humano sobre a morte, apresentando ao público uma nova maneira de conhecer e se relacionar com as histórias de terror.

A mescla de histórias de períodos literários tão diversos deu certo — e foi além. Pensado inicialmente para os adolescentes, público carente de produções de arte específicas e que tem por hábito investir horas em maratonas de séries em streaming, o projeto ampliou seu foco e se debruça sobre outro tema, visto como sombrio, triste e sobrenatural – a morte.

—Este é um assunto que causa sempre um incômodo entre as pessoas. Quando surge no meio de crianças e adolescentes, então, não sabemos o que falar e como falar. Mas ela está aí, sendo noticiada diariamente. Por outro lado, eles também veem na morte um universo de fascínio sobrenatural. E é a partir desta mistura — do real e do imaginário – que criamos o espetáculo — revela André Valim, um dos idealizadores da montagem e criador da companhia.
Há quem pense que as histórias de terror são criações contemporâneas do cinema e, de fato, os filmes de terror multiplicaram seus títulos nos últimos anos, com bilheterias milionárias e obras aclamadas. Mas a literatura de terror é um dos gêneros mais consagrados na história e apresentou nomes como Edgar Allan Por, H.P. Lovecraft, Mary Shelley, Ann Radcliffe, Guy de Maupassant e Stephen King, entre outros.

É claro que a própria figura da Morte não poderia ficar de fora. — Se a morte pudesse contar suas histórias, como seriam? De suspense, de horror, de terror? Cômicas, non sense, cotidianas? Ou tudo isso? Em cena, são elas — as Mortes — as condutoras e narradoras de todas as histórias, pois são as únicas que presenciaram todos os acontecimentos — adianta Valim. Neste encontro íntimo há espaço para o sombrio e o misterioso, mas também para o cômico e o riso, estabelecendo uma relação complexa tal qual é nossa própria forma de lidar com a morte.

Desenvolvido a partir de uma pesquisa realizada ao longo de dez anos sobre contos de horror e terror, o espetáculo reforça como traços da companhia o ineditismo da proposta e o uso de uma linguagem que transita entre contação de histórias e encenação. Tais características aparecem desde a primeira montagem da Onírico Cia de Teatro, “Vendo Memórias”, que marcou o início da companhia ganhando o concurso “Talentos Culturais — Rio de Janeiro”, do Sesi Cultural Rio 2017.

Foto Fernando Carvalho

FOI-SE: HISTÓRIAS QUE A MORTE CONTA
Teatro da UFF
Rua Miguel de Frias, 9, Icaraí, Niterói, RJ
Temporada: até 16/2
Sábados e domingos, às 19h
Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia)
Classificação: 10 anos
Informações: (21) 3674-7512.