Entrevista com Pedro Camargo Mariano (outubro de 2014)

por Renata Couto 249 views0

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PORTAL: Nestes anos de estrada, qual o momento inesquecível de sua trajetória artística?

Pedro: Olha, eu vivi tanta coisa legal, tantos momentos inesquecíveis… porque a cada projeto que eu lanço, procuro trazer novos sentimentos pra mim e para os fãs. Essa troca cria situações muito especiais. Dividir o palco, ou uma faixa, com um artista também traz esse sentimento. Por isso é muito difícil escolher um. Lembro-me da vez que me apresentei no Rock in Rio, na Tenda Brasil. Foi na noite “teen”, com N’Sync, Sandy & Junior e cia. Tinha mais de 250.000 pessoas e era a primeira apresentação do CD “Voz No Ouvido” para um grande público, e

eu estava bem nervoso. O show corria bem e quando tocamos a música “Voz No Ouvido”, toda a plateia em frente ao palco cantou junto. Uma massa sonora inesquecível. Foi a primeira vez que eu via a massa cantando minha música. Foi muito forte. Eu e os músicos não conseguimos conter as lágrimas.

PORTAL: Qual o show que mais marcou sua vida e por quê?

Pedro: Minha última apresentação na casa de shows “Citibank Hall” em SP. Era o antigo “Palace” e eu era apaixonado por essa casa. Foi o último show da sua agenda e a sensação que dava era que todos ali estavam se despedindo daquele palco mágico. Foi inacreditável!

PORTAL: A música está intimamente ligada a sua vida, filho da incomparável Elis Regina, uma das vozes mais marcantes na história da MPB, e do talentoso músico e maestro César Camargo Mariano, além de irmão da cantora Maria Rita. Esses laços familiares, contribuíram ou atrapalharam para a consolidação de sua carreira?

Pedro: Na verdade, para me consolidar na carreira, todos esses fatos não tiveram nenhuma influência direta. A minha relação com a minha profissão foi muito influenciada pelo meu pai. Ele me ensinou o quão sério deve ser minha relação com a música e o quão respeitoso eu devo ser. Mas sem minha dedicação, sem minha personalidade e seriedade, nada disso teria surtido efeito. As comparações em demasia, atrapalham, porque tiram o foco da questão. Não sou “parente profissional”. Qualquer análise que venha a ser feita deve ter como vetor o meu trabalho e não minha família. Por outro lado, ter nascido no meio que escolhi para seguir minha profissão, me deu uma série de ferramentas que me ajudaram em momentos difíceis, principalmente no início da carreira. Conhecer como funcionam as engrenagens do mercado e suas armadilhas, me deram segurança para seguir no caminho. Ou seja, dependendo do ponto de vista, pode ter ajudado, ou não…

PORTAL:  Quais foram suas maiores referências musicais?

Pedro:  Tudo o que ouço ou ouvi é influência. Cada fase da minha vida foi pontuada por um tipo de música, por um tipo de artista. Não me fixo em nada. Na infância e adolescência tive minhas “fixações”, mas com o amadurecimento, principalmente profissional, descobri que tudo o que você ouve, entra em uma caixinha no cérebro para futuras pesquisas. O R&B, o Soul e o Jazz, são muito fortes na minha vida, mas o Samba a Bossa Nova e a MPB Clássica, correm na minha veia. Misturar tudo isso e salpicar com Rock, com Erudito e o que mais tiver na prateleira, é o grande barato da minha profissão!

PORTAL: Pedro Mariano, você fez algumas homenagens à sua mãe ao longo de sua trajetória artística. Qual a maior lembrança que você tem dela?

Pedro:  Da minha mãe, muito pouco me lembro. Da artista, tudo o que ela produziu faz parte de uma discografia obrigatória para qualquer cantor(a) que queira ser respeitado. Nada teve tanta profundidade e identificação com o artista como a discografia dela.

PORTAL: Elis Regina é homenageada e revivida nos palcos em “Elis – A Musical”. Você teve oportunidade de assistir ao musical? Qual o sentimento do filho ao rever a mãe representada nessa obra?

 Pedro: Eu assisti três vezes. Na maioria das vezes consigo me distanciar da condição de filho ao assisti-la. Sei que represento, juntamente com meu irmão, um legado e isso é muito emocionante. Fiquei muito feliz com o resultado da peça. Respeitosa, leve, bem humorada e acima de tudo, conta a trajetória dela por meio de sua música. Como ela o fez.

PORTAL: Um belíssimo trabalho seu, foi “Piano e Voz”, em 2003, em parceria com seu pai, César Camargo Mariano. Algum projeto futuro em que o público poderá vê-los, juntos novamente, no palco?

Pedro: Não temos nada planejado. Por hora…

PORTAL: Sabemos que gravar um CD/DVD ao vivo, com músicas orquestradas, é um trabalho complexo que envolve muita gente. Como foi possível realizá-lo?

Pedro:  Com muita dedicação de todos envolvidos. Quando contei a cada membro da equipe sobre esse projeto, os olhos deles brilhavam. É o tipo de projeto que qualquer um que goste de música quer participar. Uma dose de loucura também foi determinante, porque da forma como a cultura é explorada atualmente no Brasil, só sendo louco!

PORTAL: O show divulga um CD/DVD ao vivo, com músicas orquestradas, um antigo sonho seu, realizado. Certo? Quais os projetos para essa turnê?

Pedro: Queremos seguir em turnê pelo Brasil. O grande diferencial que nos ajudou a fazer a primeira parte desse sonho, foi conseguir utilizar as orquestras das cidades em que no apresentamos. O intercâmbio cultural e profissional que vivenciamos foi inacreditável. E a energia com que esses músicos locais abraçaram a ideia do projeto nos encheu de alegria. Vamos continuar com esse modelo de trabalho.

PORTAL: O que podemos esperar do seu show “Pedro Mariano e Orquestra”, no Sesc Tijuca, próximo dia 11/10?

Pedro:  Esse show será com a minha banda, e não com orquestra. Todos vão poder ouvir canções de todos os momentos da minha carreira. Vamos levar uma canção do projeto com orquestra e muita diversão. Porque eu e minha banda nos divertimos muito e sempre queremos ver a plateia se divertindo.

PORTAL: Nesses quase vinte anos de estrada, você teve inúmeros parceiros musicais. Há algum deles, com quem você gostaria de repetir a experiência?

Pedro:  Sim, o Jair Oliveira! Por isso que sempre repito!!RS. Na verdade, todos aqueles que um dia eu gravei, entram na minha lista de compositores. Se, eventualmente, eu não o gravo em algum projeto não significa absolutamente nada. Toda vez que sento para preparar um repertório, eles são consultados.

PORTAL: Das músicas ou interpretações que fez ao longo da carreira, alguma delas fala mais de você, por você?

Pedro: Todas. Mesmo que aquela história não tenha acontecido comigo. Caso eu me emocione, ou me identifique, ou me solidarize com a história, eu vou gravar.

PORTAL: Há chance de remontarem o belo projeto dirigido e desenvolvido por você, em 2012, no espetáculo “Elis por Eles”?

Pedro:  Sim! Já conversamos bastante a respeito, mas por ser um projeto muito complexo, exige muita gente e muito tempo e no momento está complicado de nos organizarmos para tal tarefa. Com certeza vai acontecer.

PORTAL: Você e Maria Rita comungam da mesma essência musical, nunca pensaram em montar algo junto?

Pedro: Não, sinceramente. E digo que é uma via de duas mãos. Vivemos momentos diferentes e temos cabeças diferentes. Com nenhum membro da minha família, a parceria foi algo premeditado ou obrigatório. Não temos essa demanda.

PORTAL: Quais os projetos para a comemoração dos 20 anos de carreira, no ano que vem?

Pedro: Não sei. Não parei para pensar nisso, ainda. O projeto com orquestra será uma das formas de comemorar, mas quero gravar mais um DVD. Tenho tudo pronto. Repertório, banda, local… só não tenho o tempo!! Vou correr para achar esse tempo.

PORTAL: Alguma relação com a região da Grande Tijuca, no Rio de Janeiro, onde fará seu próximo show? Alguma passagem por aqui?

Pedro: Na verdade esse será meu terceiro show no SESC Tijuca, se não me engano. O primeiro foi com a Luiza Possi e adoramos o teatro, muito aconchegante e a plateia super receptiva. Por isso volto animado para mais essa noite.

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